quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

eu não sou real

eu não sou real
eu não sorrio quando você sorri
eu não choro enquanto você se debulha em lágrimas
eu não finjo que sou frágil
nem tento ser forte

eu não sou real
eu não falo enquanto como
nem bebo o seu suco
apenas degusto a minha saliva
para não desperdiça-la

eu não sou real
eu choro em qualquer filme
mesmo nos que fazem rir
eu não pisco quando o vento sopra
eu piso na grama, pois ela me respira

eu não sou real
eu ouço vozes que ninguém ouve
eu não sinto os seus sentimentos
nem devolvo seu alento
eu não me envolvo

eu não sou real
não quebro com facilidade
nem resisto a tudo e a todos
eu me encosto
deslizo
empurro
(n)aquilo que desejo e(n)aquilo que não quero por perto

eu não sou real
não sou um sistema de valores
nem tenho razão
sou o seu imaginário
a ficção do filme que você ainda não criou

eu não tenho ponto de vista
nem definição
não sou o oposto da mentira
nem sincero de diversas maneiras
tenho a cara da falsidade
e a voz da ilógica
eu não tenho interpretação

sou a convicção da dor de dente
e não a de que o livro está sobre a mesa
não sou uma ferramenta conveniente da nossa linguagem
sou subjetividade
introspecção


não, eu não sou sou real não.

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