quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Desilusão, desilusão..danço eu, dança você na dança da solidão"

Há muito tempo que quero escrever-lhe. Muito, muito! Sempre pensei que me expresso por palavras escritas, não necessariamente bem, mas com maior facilidade. Pelo menos pra mim.
Sim, tenho estado calada porque, sim, tenho me sentido triste, não sei dizer porquê, mas como: triste de doer; um triste sozinho, profundo e devagar...lento...aos poucos...e aos poucos vai ficando muito, crescendo, acrescentando-se ao vazio, ao vagar, ao vagaroso, pois parece não passar. Ela chega, entra e quer ficar. Sai num soluço, numa lágrima, num silêncio, até num sorriso.
Não, a tristeza vazia não vem de você pra mim, vai de mim pra você..se eu deixar..por isso guardo-a toda comigo. Nada sai, tudo fica e passa a fazer parte do corpo, da mente, da alma.
Desisti de escrever, qualquer coisa que fosse, pra você, pra mim, pra alguém. Desisti de escrever.
O peso que aqui coloco, nessa folha borrada de letras tortas, não é o mesmo pra você nem nunca será. Você a lê, mas não a sente, não a aceita. Respeire-a como se fosse aroma de alfazema no seu travesseiro. Apesar de forte pra mim, deveria ser leve pra você..suave..
Devore-a como a um chiclete..mastigue-a, sinta o doce, o amargo, o sem gosto, o áspero, o aveludado..e então, cuspa-a.
É sua, mas não para fazer-lhe triste ou contente. É um presente, nem bom, nem ruim. É apenas..seu, porque lhe foi dado. Sendo seu, foi feito pensando em você. As palavras são suas, fazendo sentido ou não. Ouço-as como eu as ouço antes de escrevê-las, pois a melodia que elas cantam também lhe pertence. E dance ao som que ouvir. É sua música. De: mim Para: você.
Representação sua dentro de mim. Guardada, porém sempre aberta a modificações.
Novidades à parte, você sempre esteve por aí, por perto, mesmo que não junto.
"Você está saindo da minha vida e parece que vai demorar
se não souber voltar ao menos mande notícias"
Mande notícias, mande notícias! O que mudou? Mudou? Mudou. Cabeça, peito, ombros, coração. Maior? Menor? Apertado? De tão apertado o meu sufocou. Uma pedra em cima dele que não o deixa respirar: é quando sei não pensar em gostar de ti, mas senti-lo. E é forte e dói. Intenso, mas se esvai.
Fique. Mas fique porque quer ficar. E saiba porquê.

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